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Ataque racista mobiliza UFPel e impulsiona novas políticas institucionais

Ataque racista mobiliza UFPel e impulsiona novas políticas institucionais

Um caso de racismo dentro da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) mobilizou a gestão da instituição e levantou um debate urgente sobre políticas de combate à violência. O ataque contra um motorista do transporte de apoio da universidade gerou indignação e motivou a realização de um encontro aberto à comunidade acadêmica para discutir medidas efetivas de enfrentamento.

Em entrevista ao programa Contraponto, da RádioCom, a reitora Úrsula da Rosa, o vice-reitor Eraldo Pinheiro e a pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade, Cláudia Daiane Molet, detalharam as ações institucionais adotadas, destacando a necessidade de protocolos mais rígidos e um compromisso contínuo na luta contra o racismo e outras formas de discriminação. O evento, que acontece hoje às 19h no auditório da Reitoria, pretende encaminhar propostas concretas para a prevenção e responsabilização em casos de violência.

A resposta institucional ao ataque racista

A reitora Úrsula da Rosa expressou indignação com o caso e destacou que a atual gestão já vinha discutindo a necessidade de políticas mais fortalecidas para enfrentar diferentes formas de violência. “Desde o início, estávamos organizando um grupo para criar protocolos e medidas que tanto acolham as vítimas quanto garantam a investigação e a punição dos responsáveis”, afirmou.

O vice-reitor Eraldo Pinheiro enfatizou que o caso não é isolado e que a UFPel tem registrado outros episódios de racismo e discriminação. “Temos ações pedagógicas e campanhas de educação antirracista, mas sentimos a necessidade de ajustes e ampliação dessas políticas”, declarou. Ele também ressaltou que a criação da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade foi uma resposta a essa demanda crescente dentro da universidade.

Fortalecimento das políticas institucionais

A pró-reitora Cláudia Daiane Molet destacou que a UFPel reconhece a existência do racismo estrutural dentro da instituição e está trabalhando para aprimorar seus mecanismos de enfrentamento. “Precisamos nomear essas violências, nos posicionar contra elas e construir respostas efetivas”, disse.

Entre as iniciativas da gestão, estão a ampliação das ações afirmativas, o fortalecimento da ouvidoria para acolhimento de vítimas e a regulamentação de penalidades mais rígidas para casos de discriminação. A UFPel também pretende estabelecer um serviço de acolhimento para vítimas de violência e tornar obrigatórios cursos de educação étnico-racial para a comunidade acadêmica.

Atendimento e suporte ao motorista atacado

Durante a entrevista, a gestão da UFPel também atualizou as informações sobre o suporte prestado ao motorista vítima do ataque racista. Segundo Eraldo Pinheiro, a universidade prestou apoio psicológico e jurídico ao trabalhador e garantiu seu afastamento para recuperação. “Desde o primeiro momento, acolhemos a vítima e sua família, oferecemos acompanhamento psicológico e orientamos sobre todos os trâmites necessários, tanto internos quanto jurídicos”, afirmou.

Pinheiro explicou ainda que a vítima optou por retornar ao trabalho após o suporte inicial, mas posteriormente decidiu se afastar novamente por não se sentir plenamente recuperado. “O mais importante para nós é garantir que ele tenha toda a assistência necessária e que se sinta seguro para decidir o melhor momento de voltar”, destacou o vice-reitor.

O papel da comunidade e a construção coletiva

Os representantes da UFPel ressaltaram que a participação ativa da comunidade acadêmica e da sociedade é fundamental para a construção dessas políticas. O evento desta noite servirá como ponto de partida para a criação de grupos de trabalho temáticos sobre racismo, violência de gênero, capacitismo, xenofobia e outras formas de discriminação.

“Queremos ouvir a comunidade e construir coletivamente as melhores estratégias para enfrentar essas questões”, afirmou Molet. Além da presença de membros da UFPel, o encontro contará com representantes políticos, movimentos sociais e especialistas no tema.

Serviço

O quê? Encontro aberto sobre políticas de combate à violência na UFPel

Quando? Quinta-feira, 27 de fevereiro, às 19h

Onde? Auditório da Reitoria da UFPel, no Campus Anglo

Quem pode participar? Toda a comunidade acadêmica e a população em geral

*Confira a entrevista completa no canal da RádioCom Pelotas no YouTube.


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