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Câmara debate repercussão da abordagem policial à vereadora Fernanda Miranda
A primeira sessão da Câmara de Vereadores de Pelotas após o Carnaval, realizada na quinta-feira (6), teve grande mobilização. Apoiadores e opositores da vereadora Fernanda Miranda (PSOL) lotaram o plenário, após convocações de ambos os lados. A tensão foi intensificada por vídeos divulgados pela candidata a vice-prefeita Adriane Rodrigues (PL), chamando militantes para um ato em frente ao Legislativo.
Parlamentares da oposição, como Marcelo Bagé (PL) e Daniel Fonseca (PSD), defenderam que a conduta da vereadora seja analisada pela Comissão de Ética da Câmara. Cauê Fuhro Souto (PV) argumentou que representantes eleitos devem manter uma conduta exemplar. Nos bastidores, a possibilidade de uma representação formal contra a parlamentar ainda gera discussões, já que há questionamentos sobre a pertinência do caso dentro do regimento da Câmara.
Vereadores aliados, como Jurandir Silva (PSOL) e Ivan Duarte (PT), classificaram as críticas como tentativas de deslegitimar o mandato de Fernanda Miranda. Eles destacaram que a abordagem teve viés moralista e ressaltaram que a política de drogas deve ser discutida com base em evidências e não em julgamentos ideológicos.
Jurandir Silva afirmou que há uma tentativa de transformar um episódio da vida privada da parlamentar em um caso político, desviando a atenção de debates mais urgentes para a cidade. "Ataques ao mandato da vereadora Fernanda Miranda são ataques ao meu mandato e ao nosso partido. Não iremos nos calar diante desse moralismo seletivo. Muita gente que agora se escandaliza com dois baseados simplesmente fechou os olhos para os 39 kg de cocaína encontrados no avião presidencial durante o governo Bolsonaro. Essa hipocrisia não nos engana!", declarou.
Ivan Duarte reforçou que a criminalização do usuário de drogas já foi superada juridicamente e que a discussão deveria ser focada em políticas públicas de saúde e segurança. Os parlamentares também criticaram o que chamaram de "hipocrisia seletiva", mencionando que substâncias como o álcool, que são legalizadas, causam impactos sociais mais severos. Segundo eles, o debate precisa levar em conta dados científicos e experiências de outros países que adotaram modelos de regulamentação da maconha, como Uruguai e Holanda.
Posicionamento da vereadora
Fernanda Miranda reafirmou seu compromisso com o debate sobre a descriminalização da maconha e políticas de redução de danos. Em sua fala, destacou que sua abordagem não configurou crime e criticou o que chamou de oportunismo político. "É evidente que o que se montou nos últimos dias, essa inquisição, foi unicamente pelo viés oportunista e moralista, e não um debate profundo, científico, de saúde pública e de economia. Ficou evidente que o único objetivo foi desgastar e perseguir uma parlamentar mulher, com um trabalho amplamente reconhecido", afirmou.
A vereadora reforçou que seguirá pautando a discussão sobre políticas públicas relacionadas ao tema. "A maconha é uma erva milenar, presente em várias culturas, ancestral, utilizada para várias finalidades. Este episódio mostrou-se uma oportunidade para dar ainda mais visibilidade a essa pauta, e eu pretendo seguir falando e defendendo com maior veemência a legalização da maconha", concluiu.
O episódio continua repercutindo, com manifestações políticas e sociais, além da possibilidade de desdobramentos na Comissão de Ética da Câmara.
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