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Catedral Metropolitana São Francisco de Paula: Um patrimônio histórico que chega em sua etapa final de restauração ainda este ano

Catedral Metropolitana São Francisco de Paula: Um patrimônio histórico que chega em sua etapa final de restauração ainda este ano

A restauração da Catedral São Francisco de Paula está sendo financiada através de parceria entre o governo estadual, pelo Pró-Cultura RS, Lei Rouanet e emendas parlamentares. O investimento total para as etapas finais da restauração é de R$2,77 milhões e a expectativa é que até o final do ano o assoalho e cobertura estejam prontos para as festividades.

 Em uma coletiva de imprensa realizada na sexta-feira (21), a arquiteta Simone Neutzling, coordenadora da Perene Patrimônio Cultural e responsável pelo plano de preservação vigente, explicou que a dinâmica inclui a conclusão da obra interna do assoalho e da restauração da cobertura, ambas até outubro deste ano. Também estão previstas a implementação de um projeto de acessibilidade para o Salão São José; recuperação das fachadas em cimento penteado; qualificação da reserva técnica da igreja, e restauração da cúpula direita.

A arquiteta esclarece que o projeto de acessibilidade surgiu pelo acesso ao Salão São José, local onde acontecem os encontros da comunidade, ser por uma escada externa íngreme e mal dimensionada. De acordo com ela, a ideia é implementar uma plataforma elevatória para melhorar o acesso dos fieis.

Além do plano de restauração foram apresentadas iniciativas que visam conscientizar a comunidade sobre o que é um patrimônio histórico e como preservá-lo, bem como, visitas guiadas e eventos culturais para fortalecer os laços entre a catedral e a população. Também está prevista a inauguração da “Escola de Restauração Perene”, que se propõe a capacitar profissionais e estudantes das áreas de Arquitetura, Engenharia Civil, Conservação e Restauração, Técnico em Edificações e demais interessados acima de 16 anos para a elaboração de projetos de restauração.

O significado da igreja para a comunidade

A Catedral é a única arquidiocese do mundo dedicada ao santo. Isso se deve ao fato de que, em 1907, o Papa Pio X oficializou São Francisco de Paula como padroeiro da cidade. A igreja é considerada o marco zero do desenvolvimento de Pelotas, pois foi projetada para ser o centro da cidade, seguindo os antigos e tradicionais modelos urbanos de desenvolvimento.

Devido à sua importância histórica e cultural, a Catedral e a Praça José Bonifácio, onde está localizada, foram tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Rio Grande do Sul (Iphae) e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2018. Essa ação se deu pelo reconhecimento do grande valor desse patrimônio para a Cidade, Estado e o País.

O padre Wilson Fernandes, reforça que a catedral é um patrimônio eclesial, pois reflete a fé e a identidade da comunidade. “A igreja é acima de tudo, um patrimônio do Brasil e é dever de todos contribuir para sua restauração”. De acordo com ele, “A igreja, embora seja um templo religioso, transcende esse aspecto: ela é um marco do desenvolvimento da cidade. Pelotas nasceu aqui. Para os católicos, isso traz um significado especial, pois a Catedral é a nossa igreja mãe – uma Arquidiocese – , carregando um valor inestimável”.

 A igreja como marco inicial da cidade

Não é por acaso que tantas cidades cresceram ao redor de uma praça central, onde a igreja matriz ocupa posição de destaque. Esse modelo urbano tem raízes profundas na história. Na Grécia Antiga, por exemplo, a ágora era o centro da vida pública, um espaço aberto onde os cidadãos se reuniam para discutir política, filosofia e assuntos do comércio. Com o tempo, essa estrutura foi absorvida por outros povos e culturas.

Com a expansão do cristianismo, as cidades europeias começaram a se estruturar ao redor das igrejas. E esse modelo foi trazido ao Brasil pelos colonizadores portugueses, que planejavam as cidades de forma a concentrar na praça central a igreja matriz e os prédios administrativos. Em Pelotas, essa lógica também foi seguida, ou pelo menos houve a tentativa de aplicá-la. A Catedral foi erguida na atual Praça José Bonifácio, projetada para ser o centro da cidade no fim do século XIX. No entanto, o crescimento urbano tomou outros rumos e, com o tempo, a Praça Coronel Pedro Osório passou a ser reconhecida como o verdadeiro coração do município.

A construção começou a ganhar forma com a edificação da torre sul, em 1845, seguida pela construção da torre norte, entre 1850 e 1851. Ao todo, as obras levaram 8 anos, sendo finalizadas somente em 1853. Com o passar dos anos, a estrutura foi enriquecida por elementos artísticos e arquitetônicos que reforçaram sua imponência. A cada geração, a comunidade, movida pela fé e devoção, contribuía para ampliar e embelezar o templo.

Com o crescimento da cidade e o aumento do número de fiéis, surgia também a necessidade de reformas e expansões. Em 1934, por iniciativa de Dom Joaquim Ferreira de Mello, iniciou-se um referendum popular para decidir se Pelotas construiria uma nova catedral ou se reformaria a existente. A solução encontrada foi preservar a fachada, construída no estilo Barroco Colonial Português, e reconstruir o interior do templo. Assim, a Catedral que conhecemos hoje foi reconfigurada e projetada pelo arquiteto fransciscano Frei Niceto Peters. Em 1948, ela ganhou um novo brilho com as pinturas dos artistas italianos Emílio Sessa e Aldo Locatelli, agregando valor artístico a todo o espaço sagrado.

As obras-primas acima do altar são de autoria de Aldo Locatelli. Entre os elementos que adornam a cúpula, destaca-se a seguinte proclamação: “Sancte Francisce, protrege ac defende hanc tuam civitaten” (São Francisco, protegei e defendei essa vossa cidade). O artista chegou ao Brasil em 1948 exclusivamente para as contribuições artísticas na Catedral, a convite do bispo Dom Antônio Zattera. Em 1949, após o término de seu trabalho, Locatelli tornou-se um dos fundadores da Escola de Belas Artes de Pelotas.

O padre Wilson também ressalta a relevância artística do templo e o compromisso da comunidade na sua preservação:

“Conservamos e guardamos aqui a obra de Aldo Locatelli, uma experiência única no Rio Grande do Sul. Ele deixou sua marca em algumas catedrais, como em Caxias, Porto Alegre e Santa Maria, mas nenhuma com a grandiosidade da Catedral de Pelotas. Manter esse patrimônio é um dever não só da Igreja, mas de toda a cidade. Cuidar deste lugar, que pertence a todos os pelotenses, é um compromisso coletivo.”

Como destacou o padre Wilson, esse patrimônio artístico e histórico representa um legado que ultrapassa a fé, compondo a identidade cultural da cidade. Para aqueles que desejam ajudar é possível fazer doação via PIX, disponível nos QR Codes nos bancos da Igreja. Essa é uma forma simples e acessível de contribuir para a continuidade dessa obra que pertence a todos.

Como colaborar com a restauração da Catedral São Francisco de Paula

Quem desejar contribuir com a restauração pode fazer uma doação via Pix:

Chave Pix: catedral.metropel@gmail.com

Por: Luísa Brito

Imagem: Luísa Brito


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