Livro "Feitos de Luz e Sombras" retrata vivências literárias no Theatro Sete de Abril
Contraponto: Coletivo Khaos apresenta peça “Scoth 33” com sessões gratuitas
A peça “Scoth 33”, do Coletivo Khaos, será apresentada gratuitamente nos bairros Dunas e Tablada, em Pelotas, nos dias 18, 20 e 21 de abril, sempre às 18h30. As sessões integram um projeto contemplado pela Lei Paulo Gustavo, que busca descentralizar o acesso à cultura e democratizar o teatro. A estreia ocorre no Caixa Preta (dia 18), seguida por duas apresentações na Praça CEU (dias 20 e 21). A entrada é franca e a distribuição de senhas será por ordem de chegada.
O espetáculo é indicado para maiores de 14 anos e não é recomendado para pessoas fotossensíveis, devido ao uso intenso de luzes e projeções. Todas as apresentações contarão com tradução em Libras e os espaços possuem acessibilidade arquitetônica.
Além das sessões, o grupo realizará oficinas de escrita criativa voltadas à comunidade local nos dias 3 e 4 de maio, nos mesmos espaços das apresentações. A proposta é estimular a expressão através da escrita, utilizando como ponto de partida fotografias consideradas “imperfeitas”. As atividades ocorrerão das 9h às 12h e das 14h às 17h, com inscrições disponíveis pelo Instagram do grupo (@coletivo_underlyingcaos) ou presencialmente. A prioridade será para moradores dos bairros Dunas e Tablada.
O projeto foi destaque no programa Contraponto, da RádioCom, nesta quarta-feira, 2 de abril. As entrevistadas Lizi Fonseca e Catarina Rassier, integrantes do coletivo, explicaram que a proposta surgiu do desejo de levar o teatro para além do centro da cidade, alcançando públicos que muitas vezes não têm acesso a atividades culturais. “A gente tem que ir [à comunidade]. A gente não pode esperar que eles venham ver a gente. Então, como que a gente adentra esse bairro? Como que a gente conhece essas pessoas? Como que a gente mostra também que, embora essa peça tá falando disso, ela tá dizendo pra ti?”, destacou Catarina.
Teatro contemporâneo e narrativas interligadas
“Scoth 33” é o primeiro espetáculo do Coletivo Khaos, criado em 2022, e também o ponto de partida de uma pentalogia teatral inspirada na literatura gótica vitoriana. A peça tem como referência principal o clássico Frankenstein, de Mary Shelley, e aborda temas como o luto, a identidade, o apego e a monstruosidade simbólica.
Escrita por Lizi Fonseca, que também assina a direção e trilha sonora, a obra nasceu no contexto da pandemia e reflete medos e inquietações pessoais. “Quando eu escrevo Scoth é pós-pandemia. Então tá muito vinculado à questão da morte de um modo geral, que tava cercando a gente de maneiras inimagináveis. Eu tinha muito medo que minha mãe morresse, porque eu tava vendo o caso de pessoas que poderiam morrer, o tipo específico de gente que poderia morrer, e a minha mãe se enquadrava. Então isso tudo acabou desencadeando numa escrita atravessando a ficção”, relatou a diretora.
A dramaturgia traz personagens que reaparecerão nas próximas quatro peças do grupo, cada uma baseada em uma obra clássica e com enredos interligados. Segundo Lizi, a narrativa se desenvolve a partir da perspectiva dos próprios personagens, que vão ganhando profundidade ao longo das montagens. “É como se cada peça revelasse uma parte da história de cada um”, explicou.
Processo coletivo e reconhecimento
O Coletivo Khaos é formado por cinco integrantes com formação em artes cênicas. Lizi Fonseca, atriz, diretora e mestranda em artes pela UFPel, e Catarina Rassier, atriz e professora de teatro, contam que a criação da peça foi marcada por uma intensa colaboração entre direção e elenco. Improvisações, vivências pessoais e contribuições criativas dos atores foram incorporadas ao texto original, que evoluiu durante os ensaios.
O grupo trabalha com uma proposta cênica que mistura linguagens: dança, cinema, artes visuais, projeções, música e luz compõem a ambientação da peça. A sincronia entre os elementos técnicos e a atuação exigiu um processo rigoroso de experimentação e ajuste. “É um desafio alinhar tudo — luz, som, projeção, movimento. Mas quando tudo se encaixa, o resultado é muito potente”, afirmou Catarina.
“Scoth 33” já foi apresentado em festivais como o Festival de Caçapava do Sul e o Rosário em Cena, onde o grupo recebeu prêmios como Melhor Dramaturgia. Recentemente, o espetáculo também foi selecionado para um festival em Uruguaiana, consolidando o trabalho do coletivo no circuito teatral do interior do estado.
Texto de: Redação
Imagem: Ridley Madrid
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