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Edição da Manhã: Campanha Salarial da Alimentação foca em reajuste real e redução da jornada

Edição da Manhã: Campanha Salarial da Alimentação foca em reajuste real e redução da jornada

A edição desta terça-feira (25) do programa Edição da Manhã recebeu Pedro Mallmann, presidente da Federação Intermunicipal dos Empregados da Alimentação do Rio Grande do Sul (FIEICA-RS). Em entrevista à RádioCom Pelotas, Mallmann apresentou os principais pontos da Campanha Salarial da Alimentação 2025, que será lançada no próximo dia 3 de abril em frente à unidade da JBS em Passo Fundo.

Lançamento da campanha e local estratégico

Segundo Mallmann, a escolha por Passo Fundo e pela empresa JBS se deu pela estratégia de alcançar um grande número de trabalhadores. “No ano passado, realizamos o lançamento em Bagé, na unidade da Marfrig de Hulha Negra. Agora escolhemos um ponto com grande concentração de trabalhadores para conscientizar e divulgar os eixos da campanha”, explicou.

O dirigente destacou que o ato não pretende interromper as atividades da empresa, mas sim dialogar com os trabalhadores na entrada e saída dos turnos.

Reivindicações centrais: reajuste real e jornada 5x2

Entre os principais objetivos da campanha estão o reajuste salarial acima da inflação e o fim da jornada de trabalho no regime 6x1. A proposta é substituí-la pelo modelo 5x2, considerado mais saudável e equilibrado.

“Estamos num momento que consideramos favorável para avançar. Há uma escassez de mão de obra nos frigoríficos, e isso nos dá mais força na negociação. Acreditamos que é hora de valorizar o trabalhador”, afirmou Mallmann.

A federação está reivindicando um aumento salarial de 5% acima do INPC. “Ano passado conseguimos algo em torno de 0,5% a 1% acima da inflação. Agora, queremos avançar mais, e acreditamos que as empresas precisam se sensibilizar diante do cenário atual”, pontuou.

Piso salarial e convenções estaduais

A campanha também prevê a elevação do piso salarial da categoria para R$ 2.500. Mallmann explicou que a categoria conta com convenções coletivas estaduais que servem como base para as negociações locais.

“As empresas como JBS, Marfrig e Lactalis firmam acordos específicos. Já para as demais, aplicam-se as convenções gerais, como as da alimentação, arroz, carnes suína e de aves”, detalhou.

Modelo de negociação e papel das assembleias

A FIEICA-RS atua em conjunto com dez sindicatos filiados, e embora cada um tenha autonomia para negociar, existe um alinhamento para que nenhum acordo seja fechado abaixo do índice mínimo definido.

“Antes de fechar qualquer negociação, há uma conversa entre sindicatos e federação. E, mesmo após a negociação, quem tem a palavra final são os trabalhadores, que votam em assembleia”, explicou o presidente.

Enfrentamento às doenças ocupacionais e sobrecarga

Mallmann também destacou que a jornada exaustiva nas indústrias tem levado ao aumento de doenças ocupacionais e quadros depressivos. Por isso, a federação aposta na conscientização dos trabalhadores para fortalecer a luta por condições mais dignas.

“Já existem empresas que começaram a reduzir a jornada justamente pela dificuldade de manter mão de obra. Nosso papel é estimular esse debate e buscar um modelo que beneficie o trabalhador sem perda salarial”, concluiu.

Confira a entrevista completa no canal da RádioCom Pelotas no YouTube.

Imagem: Divulgação


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