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Edição da Manhã: Dieese aponta redução da cesta básica no RS
A economista Daniela Sandi, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), participou do programa Edição da Manhã na terça-feira, 18, para comentar os dados da pesquisa mensal sobre o custo da cesta básica em 17 capitais brasileiras. Segundo ela, apesar da percepção de alta generalizada nos preços dos alimentos, Porto Alegre registrou queda pelo segundo mês consecutivo - movimento semelhante ao observado em outras capitais do Sul.
Cesta básica recua em Porto Alegre e contrasta com alta nacional
Durante a entrevista, Daniela Sandi explicou que a queda na cesta básica em Porto Alegre — verificada também em Florianópolis — se deve principalmente à redução nos preços de alimentos in natura, como tomate e batata. “O tomate caiu 13% em fevereiro e acumula queda de 51% em 12 meses. Já a batata, que chegou a custar quase R$10 o quilo, agora pode ser encontrada por R$2 ou R$3”, afirmou.
Ela destacou que oito dos 13 itens da cesta básica tiveram redução de preço na capital gaúcha. Produtos como arroz e feijão - itens essenciais da alimentação brasileira -, também apresentaram recuos importantes: 15% e 20%, respectivamente, no comparativo anual.
Inflação pontual não significa alta generalizada
Apesar da percepção comum de que os alimentos estão cada vez mais caros, a economista alertou para uma “narrativa de hiperinflação” promovida por setores da mídia. “Há sim aumentos expressivos em produtos como café, carne e ovos, mas não podemos falar em aumento generalizado”, explicou.
Daniela lembrou que fatores como o clima e o mercado internacional influenciam fortemente esses preços, e que parte dos aumentos têm sido impulsionada por questões externas e não por maior demanda interna.
Inflação e custo de vida
A economista chamou atenção para a diferença entre inflação e custo de vida. “Mesmo que a inflação esteja controlada ou até em queda, o custo de vida pode permanecer alto, especialmente devido aos baixos salários”, explicou.
Segundo dados do Dieese, uma pessoa que recebe salário mínimo compromete cerca de 54% de sua renda com a cesta básica. Apesar de ainda elevado, esse percentual já foi maior em anos anteriores, chegando a 70%. A redução se deve, em parte, à política de valorização do salário mínimo, que voltou a considerar o crescimento do PIB no reajuste.
Pressões sobre a inflação: além dos alimentos
Ao comentar os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro, Daniela apontou que os principais vilões da inflação no mês foram o reajuste da energia elétrica (com alta de 16%) e das mensalidades escolares (média de 7%). Ainda que os alimentos tenham subido, o ritmo foi menor do que em janeiro.
Ela também observou que a atual inflação é mais influenciada por fatores de oferta — como clima e exportações — do que por aumento da demanda. “Não adianta subir juros para combater uma inflação que não é de consumo”, argumentou.
Juros altos e dívida pública: um círculo vicioso
A economista criticou a expectativa de novo aumento da taxa Selic por parte do Banco Central, que deve ser discutido nas reuniões dos dias 18 e 19 de março do Comitê de Política Monetária. “Esse tipo de medida não resolve a inflação causada por fatores climáticos ou externos, mas aumenta o custo do crédito, desestimula investimentos e penaliza a economia real”, afirmou.
Ela destacou que os juros da dívida pública brasileira já somam cerca de R$900 bilhões ao ano, valor muito superior ao orçamento do programa Bolsa Família (R$170 bilhões), o que evidencia a transferência de recursos da economia real para o setor financeiro.
Alternativas e desafios para o controle dos preços
Daniela defendeu a retomada dos estoques reguladores de alimentos como instrumento estratégico para conter variações abruptas nos preços. “Até 2016, tínhamos estoques de café, arroz e feijão. Isso dava ao governo uma ferramenta para equilibrar o mercado, protegendo tanto o consumidor quanto o produtor”, afirmou.
A economista ainda citou a importância do fomento à agricultura familiar e políticas de fortalecimento do mercado interno como caminhos para aumentar a oferta e reduzir a dependência de exportações e das oscilações do mercado internacional.
PIB em alta e importância do consumo das famílias
Ao final da entrevista, Daniela comentou o crescimento de 0,9% no PIB, acima das expectativas. Ela atribuiu esse resultado principalmente ao aumento do consumo das famílias e à melhora do mercado de trabalho. “Quando há renda e emprego, há consumo, e isso impulsiona também comércio, serviços e indústria”, concluiu.
Confira a entrevista completa no canal da RádioCom Pelotas no YouTube.
Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil
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