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Edição da Manhã: entrevista trata de desafios e avanços da transição energética
Yuri Silva, estudante de Comércio Exterior e integrante do movimento Transição Energética Justa, foi o entrevistado do programa Edição da Manhã nesta quinta-feira, 20 de março, para falar sobre os impactos da exploração de energia fóssil e a participação do grupo nas conferências estaduais e na nacional de meio ambiente.
A importância da transição energética no combate às mudanças climáticas
Durante a entrevista, Yuri destacou que 76% das emissões globais de gases poluentes estão ligadas à mineração e ao uso de energia, tornando a transição energética um tema central nos debates ambientais. No Brasil, porém, o principal fator de emissão é o desmatamento, sobretudo na Amazônia.
“A transição energética precisa ser justa e acessível. Não podemos falar em combate às mudanças climáticas sem revisar nossa matriz energética e considerar a inclusão social nesse processo”, afirmou.
Transição energética justa: conceito e implicações sociais
Segundo Yuri, o movimento Transição Energética Justa surgiu como resposta à necessidade de migrar de fontes fósseis para energias renováveis, respeitando o contexto social e econômico das comunidades impactadas. Ele citou o Acordo de Paris como ponto de partida para essa transformação global.
“A mudança não pode ser feita de forma abrupta. Em municípios como Candiota, onde cerca de 30% da renda depende da mineração do carvão, é preciso pensar em alternativas econômicas para garantir empregos e renda.”
Yuri também mencionou experiências internacionais, como os incentivos dos Estados Unidos para carros elétricos, e ressaltou que o Brasil é referência mundial em matriz energética limpa, com quase metade da produção vinda de fontes renováveis.
Obstáculos e interesses que travam a transição energética
Entre os principais desafios apontados por Yuri estão o negacionismo científico e os interesses econômicos ligados à energia fóssil. Ele destacou que, apesar de algumas usinas movidas a carvão receberem subsídios milionários, muitas operam com baixa eficiência e causam graves danos ambientais.
“Há falácias de que as mineradoras geram muitos empregos, mas na verdade elas exigem mão de obra altamente especializada e são implantadas, muitas vezes, em áreas protegidas”, alertou.
Yuri também criticou o perdão de multas ambientais e a falta de investimentos em alternativas sustentáveis, como o hidrogênio verde e os biocombustíveis.
A exploração de petróleo na Bacia de Pelotas e o papel do Brasil
Questionado sobre a recente intenção de exploração de petróleo na Bacia de Pelotas, Yuri afirmou que é necessário avaliar os impactos ambientais e socioeconômicos da iniciativa. Ele reconhece o avanço tecnológico da Petrobras, que tem conseguido reduzir pela metade as emissões de carbono por barril, tornando o país uma referência mundial em extração responsável.
“Temos que garantir que essa exploração não afete comunidades tradicionais e que os investimentos sejam feitos com responsabilidade ambiental”, disse. Para o movimento, é fundamental que o acesso à energia limpa alcance populações vulneráveis, como comunidades quilombolas.
Riscos geopolíticos e a influência dos Estados Unidos
Yuri também comentou os possíveis efeitos do retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, principalmente diante da postura do ex-presidente em relação ao Acordo de Paris. Para ele, a retirada do país dos compromissos climáticos representa um risco global.
“Mesmo que parássemos hoje todas as emissões, levaríamos mais de 50 anos para reverter os danos causados ao planeta. A posição de Trump alimenta o negacionismo e enfraquece o esforço coletivo mundial.”
Ao final da entrevista, Yuri reforçou a importância de continuar pressionando governos e empresas por uma transição energética que seja ao mesmo tempo ecológica, econômica e socialmente justa.
Confira a entrevista completa no canal da RádioCom Pelotas no YouTube.
Imagem: Divulgação
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