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Edição da Manhã: estudo revela crescimento de suicídios entre policiais no RS

Edição da Manhã: estudo revela crescimento de suicídios entre policiais no RS

Edição da Manhã: estudo revela crescimento de suicídios entre policiais no RS

O advogado criminalista, professor e pesquisador da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), Aknaton Toczek, foi o entrevistado do programa Edição da Manhã nesta sexta-feira (7). Durante a conversa, ele detalhou os dados alarmantes do Boletim Técnico 01/2025, elaborado pelo Grupo Interdisciplinar de Trabalho e Estudos Criminais-Penitenciários (GITEP). O estudo aponta que, entre 2019 e 2024, houve 51 suicídios de agentes de segurança no Rio Grande do Sul, superando as 31 mortes violentas de policiais militares registradas no mesmo período.

A gravidade do problema

Segundo Toczek, os dados demonstram um aumento de 1.500% no número de suicídios entre agentes de segurança desde 2018, evidenciando a necessidade de uma reflexão sobre as condições de trabalho e saúde mental desses profissionais. "A segurança pública é uma política complexa que envolve seres humanos, e é essencial compreendermos as mazelas que afetam esses trabalhadores para pensarmos em soluções eficazes", explicou o pesquisador.

A militarização extrema e a cultura hierárquica dentro das instituições de segurança são apontadas como fatores determinantes para o aumento dos casos. O estudo destaca que a Brigada Militar é a instituição onde há maior incidência de suicídios, com maior ocorrência entre os praças - segmento de hierarquia inferior dentro da corporação.

Comparativo com outros estados

Os números do Rio Grande do Sul são significativamente superiores aos de Santa Catarina e Paraná. No período analisado, Santa Catarina registrou os menores índices de suicídios entre policiais, sugerindo diferenças institucionais e regionais na forma como as corporações lidam com a saúde mental dos agentes.

Fatores que agravam o cenário

Entre os aspectos que contribuem para o adoecimento mental dos policiais, Toczek destaca:

- Cultura hipermilitarizada: A ideia do "guerreiro que não pode demonstrar fraqueza" dificulta a busca por apoio psicológico.

- Longas jornadas e pressão constante: A exposição frequente à violência e a falta de descanso afetam a saúde mental.

- Falta de suporte institucional: O medo da represália impede muitos policiais de falarem sobre seus problemas.

- Impactos da masculinidade e da cultura organizacional

O estudo também aponta que 94% dos suicídios e 92% das mortes violentas entre policiais envolvem homens. Segundo Toczek, isso está relacionado às expectativas sociais sobre masculinidade e ao estigma dentro das corporações. "O ethos do guerreiro e a ideia de que o homem não pode demonstrar fraqueza fazem com que muitos policiais silenciem seus problemas, o que pode ter consequências fatais", afirmou.

Soluções e caminhos para a prevenção

Para enfrentar esse problema, Toczek sugere mudanças institucionais e investimentos em saúde mental dentro das corporações, incluindo:

Programas de prevenção ao suicídio e suporte psicológico adequado.

Campanhas de conscientização para combater o estigma em relação à busca por ajuda.

Revisão das condições de trabalho, incluindo redução da carga horária excessiva.

Capacitação de lideranças para identificar sinais de sofrimento psíquico entre os profissionais.

Para o pesquisador, a solução para o problema passa pela participação ativa das instituições de segurança, da sociedade civil e da academia. "Não se trata de apontar culpados, mas de compreender o problema e buscar estratégias eficazes para garantir o bem-estar desses profissionais que exercem um papel fundamental na sociedade", concluiu.

Confira a entrevista completa no canal da RádioCom Pelotas no YouTube.



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