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Edição da Manhã: Fechamento de agências bancárias privadas afeta zonas periféricas
O programa Edição da Manhã, da RádioCom Pelotas, recebeu na terça-feira (25) Lucas da Cunha, diretor de Comunicação e Cultura do Sindicato dos Bancários de Pelotas. O tema da entrevista foi o fechamento de agências de bancos privados em regiões periféricas da cidade, um movimento que tem impactado diretamente os trabalhadores do setor e a população que depende do atendimento presencial.
Fechamento de agências e justificativas dos bancos
Lucas da Cunha destacou que os bancos privados são os principais responsáveis pelo fechamento de agências, justificando a decisão pela "transformação digital" e pela migração dos clientes para serviços online e fintechs. No entanto, ele ressaltou que, na prática, muitas pessoas ainda dependem do atendimento físico.
"Os bancos justificam essa mudança pela necessidade de se adequar ao mercado e manter seus lucros. Mas os balanços recentes mostram que os grandes bancos continuam aumentando seus ganhos, o que contradiz esse argumento", afirmou Cunha.
O dirigente sindical citou o caso do Santander, que fechou uma agência em Canguçu, deixando a população sem alternativas fáceis para acessar serviços bancários. "Muitas pessoas, especialmente idosos e moradores de áreas periféricas, ainda precisam de atendimento presencial. O fechamento das agências gera grande apreensão."
Impacto sobre os trabalhadores e os clientes
O fechamento das agências também gera impactos diretos nos funcionários dos bancos. Segundo Cunha, embora os bancos aleguem que os trabalhadores são realocados, a realidade é que, com o tempo, os postos de trabalho são eliminados.
"Os bancos dizem que realocam os empregados, mas depois, com o passar dos meses, começamos a ver as demissões acontecendo. Isso é uma estratégia para evitar atenção negativa, mas o fato é que o setor bancário tem reduzido significativamente seus postos de trabalho", explicou.
Além disso, o fechamento das agências acaba sobrecarregando os trabalhadores que permanecem. O diretor do sindicato exemplificou o caso do Santander, que agora tem apenas uma agência em Pelotas e outra em Rio Grande. "Com menos locais de atendimento, os bancários enfrentam jornadas mais longas, filas maiores e maior pressão. Isso afeta diretamente sua saúde, aumentando casos de burnout e outros problemas psicológicos."
Priorização do lucro e exclusão bancária
Outro ponto abordado na entrevista foi a estratégia dos bancos de priorizar serviços que geram lucro em detrimento dos atendimentos essenciais. Cunha explicou que os bancos dão preferência à venda de produtos financeiros, como seguros e empréstimos, enquanto reduzem o atendimento para questões como saques e solução de problemas com cartões.
"Clientes que precisam apenas sacar um benefício do INSS ou resolver um problema com seu cartão são direcionados para caixas eletrônicos ou lotéricas. O banco quer priorizar o que chama de 'negócios', ou seja, serviços que tragam retorno financeiro imediato. Isso exclui muitas pessoas que dependem do atendimento presencial."
Cunha criticou a postura dos bancos, especialmente dos privados, que, segundo ele, ignoram o papel social que deveriam desempenhar. "O caso de Canguçu é emblemático: o banco simplesmente fechou as portas sem preocupação com os clientes e os trabalhadores, mesmo sendo uma agência lucrativa."
O Sindicato dos Bancários segue acompanhando o impacto dessas mudanças e defendendo melhores condições para os trabalhadores do setor.
Confira a entrevista completa no canal da RádioCom Pelotas no YouTube.
Imagem: Divulgação/Sindicato dos Bancários
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