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Edição da Manhã: potencial petrolífero da Bacia de Pelotas é analisado por especialista

Edição da Manhã: potencial petrolífero da Bacia de Pelotas é analisado por especialista

A Bacia de Pelotas- região que abrange todo o litoral do Rio Grande do Sul e parte de Santa Catarina - pode ter um grande potencial petrolífero. Esse foi o tema central da entrevista com o professor Giovani Cioccari, especialista em geologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no programa Edição da Manhã desta quarta-feira (26). Segundo Cioccari, nove empresas aguardam licença do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para iniciar o mapeamento de petróleo na região.

Potencial da Bacia de Pelotas

Durante a entrevista, o professor explicou que a Bacia de Pelotas se estende do sul de Santa Catarina até a costa do Uruguai. Ele destacou que, embora a região tenha sido pouco estudada no passado, novas descobertas na Namíbia reacenderam o interesse na exploração de hidrocarbonetos no Atlântico Sul. "Se tem petróleo na costa africana, há uma grande possibilidade de termos na costa brasileira, assim como ocorreu com o pré-sal", explicou.

O especialista afirmou que, atualmente, está em andamento um levantamento sísmico na região para identificar possíveis reservatórios de petróleo e gás. "Esse estudo deve ser concluído até o final do ano. Depois, há uma fase de processamento e interpretação dos dados, que pode levar mais um ou dois anos", detalhou.

Fases do processo de exploração

Caso os estudos confirmem a presença de hidrocarbonetos, o próximo passo será a perfuração de poços exploratórios. "Se houver petróleo, a empresa concessionária comunica a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e inicia-se um novo processo de licenciamento para a exploração", explicou Cioccari. Segundo ele, se houver viabilidade econômica, a exploração comercial pode ocorrer dentro de aproximadamente dez anos.

O estudo atual se concentra na área conhecida como Cone do Rio Grande, localizada entre 150 e 200 quilômetros da costa. "Essa região possui formações geológicas que podem funcionar como armadilhas para o acúmulo de hidrocarbonetos", pontuou o professor.

Impactos econômicos e sociais

A possível descoberta de petróleo na Bacia de Pelotas pode ter um impacto significativo no desenvolvimento da região. Segundo estimativas, a reserva pode conter entre 13 e 15 bilhões de barris, volume comparável ao pré-sal. "Isso pode gerar investimentos bilionários e um grande número de empregos diretos e indiretos", afirmou Cioccari.

No entanto, ele alertou para desafios sociais, como a chegada de trabalhadores não qualificados em busca de oportunidades. "Isso aconteceu em cidades como Macaé e Santos, gerando cinturões de pobreza. É fundamental que os governos locais se preparem desde agora", destacou.

Questões ambientais e transição energética

Cioccari também abordou os riscos ambientais da exploração petrolífera. "Historicamente, os vazamentos em plataformas ocorrem principalmente no transbordo de petróleo para navios", afirmou. Ele ressaltou que, apesar do debate sobre transição energética, a demanda por hidrocarbonetos segue alta. "O petróleo não é usado apenas como combustível, mas também em plásticos, resinas e diversos materiais do nosso cotidiano", explicou.

Por fim, o professor mencionou que a UFPel está em tratativas com a Petrobras para estabelecer parcerias em estudos sobre a Bacia de Pelotas. "Temos os cursos de Engenharia Geológica e Engenharia de Petróleo que podem contribuir para a pesquisa na região", concluiu.

Confira a entrevista completa no canal da RádioCom Pelotas no YouTube.

Imagem: Leonardo Cardoso


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