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Edição da Manhã: Rafael Amaral fala dos desdobramentos da CPI do Pronto Socorro
O vereador Rafael Amaral (PP) participou do programa Edição da Manhã, da RádioCom Pelotas, na terça-feira (25), para comentar sobre a operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público, que resultou na prisão de Misael da Cunha, ex-diretor administrativo e financeiro do Pronto Socorro de Pelotas. Amaral, que presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou irregularidades na unidade de saúde, destacou que a CPI foi o ponto inicial das ações do MP, que agora apresentam desdobramento com a responsabilização dos acusados pelos desvios de recursos públicos.
CPI revelou indícios de desvios milionários
Segundo Rafael Amaral, a CPI identificou indícios de que - só em 2023 - mais de R$8 milhões foram registrados em notas inconsistentes relacionadas ao Pronto Socorro. "Ninguém sabia como foi pago", afirmou o vereador. Ele ressaltou que a operação do Ministério Público focou nos primeiros três meses de 2024, o que justifica os valores inicialmente menores dos apontados pela investigação dos vereadores.
Amaral ainda destacou que a CPI encontrou uma estrutura de gestão que permitia a concentração de processos na figura de Misael da Cunha. "Ele criou um setor de compras dentro do Pronto Socorro. Ele cotava, comprava e pagava. Um homem só fazia tudo isso e ninguém dava atenção", denunciou.
Corrupção na saúde e impacto no atendimento
Para o vereador, os desvios financeiros têm um impacto direto na qualidade do atendimento à população. "Quando um cara desse rouba do SUS, ele também mata, ele puxa o gatilho", afirmou, referindo-se às condições precárias do serviço e às dificuldades enfrentadas pelos pacientes e profissionais do Pronto Socorro. Amaral defendeu que a ausência de gestão qualificada é um dos principais problemas da saúde em Pelotas. "Colocar uma pessoa sem capacidade para gerir a saúde é um erro gravíssimo", criticou.
O parlamentar também ressaltou que a corrupção não ocorre isoladamente e que outras fases da investigação do Ministério Público devem revelar mais envolvidos. "Ninguém rouba sozinho no serviço público. Alguém acobertou, fez que não viu ou participou", apontou.
Propostas para melhorar a saúde pública
Amaral defendeu mudanças estruturais para melhorar a saúde em Pelotas, incluindo a regionalização do atendimento e a ampliação do horário de funcionamento das Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Ele propôs que cinco UBSs fiquem abertas até meia-noite para desafogar o Pronto Socorro e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA). "Quando as UBSs não funcionam, o PS e a UPA ficam lotados", explicou.
Outra medida mencionada foi a implementação de telemedicina na cidade. O vereador anunciou que está organizando uma palestra com um dos pioneiros da telemedicina no Brasil para discutir como a tecnologia pode ser utilizada para otimizar o atendimento na rede pública de saúde.
Agradecimento à imprensa e continuidade das investigações
Amaral enfatizou a importância da cobertura da imprensa para a investigação e para a cobrança de soluções na saúde municipal. "Se não fosse a mídia de Pelotas divulgando os depoimentos e mostrando os números, essa operação não teria ocorrido tão rápido", reconheceu.
Por fim, o vereador reforçou que os trabalhos de auditoria continuarão e que a meta é analisar também os anos de 2022 e 2021. Ele garantiu que qualquer nova irregularidade identificada será encaminhada ao Ministério Público.
Confira a entrevista completa no canal da RádioCom Pelotas no YouTube.
Imagem: Eduarda Damasceno
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