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Edição da Manhã: Situação crítica da rodoviária de Pelotas

Edição da Manhã: Situação crítica da rodoviária de Pelotas

O diretor-presidente da Empresa do Terminal Rodoviário de Pelotas (Eterpel), Afrânio Silva, foi o entrevistado do programa Edição da Manhã nesta segunda-feira, 24. Durante a conversa, ele apresentou um diagnóstico preocupante da situação da estação rodoviária da cidade, que enfrenta sérios problemas estruturais e um passivo acumulado que ultrapassa os R$3,8 milhões.

Afrânio, que assumiu o cargo em janeiro a convite do prefeito César Marroni, detalhou medidas já adotadas para conter gastos e reestruturar a empresa. O gestor também revelou que a rodoviária opera sem alvará de funcionamento e sem o Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndios (PPCI), e que uma série de ações está em curso para regularizar a situação.

Passivo de R$ 3,8 milhões e ausência de alvará

Segundo Afrânio, a nova gestão encontrou a rodoviária com um passivo expressivo, incluindo uma dívida de R$1,8 milhão com o INSS e cerca de R$800 mil com o DAER, além de outras pendências acumuladas desde antes de 2019. Para lidar com esse cenário, a Eterpel já deu início a uma avaliação contábil e pretende realizar uma auditoria completa para mapear a origem das dívidas e estruturar um plano de recuperação financeira.

Além das dificuldades econômicas, o prédio da rodoviária não possui alvará de funcionamento nem o PPCI. “Nos deparamos com essa situação crítica e, em parceria com empresários da rodoviária, contratamos uma empresa e já protocolamos o pedido do alvará junto ao Corpo de Bombeiros”, afirmou o presidente. Um alvará provisório deve ser concedido até o fim de 2026, enquanto a gestão trabalha na regularização definitiva.

Estrutura comprometida e problemas herdados

Entre os principais problemas apontados por Afrânio está a subestação elétrica da rodoviária, que foi condenada pela concessionária CEEE Equatorial e precisa ser substituída. Um novo projeto, em parceria com a Secretaria de Planejamento da prefeitura, está sendo elaborado para resolver o impasse. A antiga sala onde se encontra a subestação “não possui as mínimas condições de funcionamento”, alertou.

A atual gestão também identificou uma licitação de espaços internos da rodoviária aberta desde 2015, o que levou a uma notificação do Ministério Público. A empresa está dialogando com o MP e o Tribunal de Contas para encerrar o processo antigo e abrir um novo certame, dependente da regularização do PPCI.

Concorrência com aplicativos e busca por equilíbrio financeiro

Afrânio também destacou os impactos da concorrência com aplicativos de transporte, como o Blablacar, na arrecadação da rodoviária. “Muitos usuários utilizam nossa estrutura e internet para organizar caronas, sem oferecer nenhuma contrapartida”, lamentou. Ele defende que o transporte público, oferecido pelas empresas de ônibus, é mais seguro, fiscalizado e confiável.

Já o diretor financeiro da Eterpel, Ary Redu, avaliou que, apesar das incertezas causadas pela concorrência com os aplicativos, a empresa projeta um equilíbrio entre receitas e despesas para 2025, baseado em um modelo de contenção de gastos e foco em serviços essenciais de manutenção.

Propostas para revitalizar o espaço

Um dos projetos da gestão é ocupar os espaços ociosos dos cinco andares da rodoviária com serviços públicos e atividades que atraiam a comunidade de volta ao local. Atualmente, a Guarda Municipal ocupa o terceiro piso, mas pode ser transferida. Outros órgãos, como a Defesa Civil e o Departamento de Esportes, estão sendo considerados para futuras instalações.

Afrânio também mencionou a criação de um museu com itens do patrimônio histórico da rodoviária e a realização de feiras artesanais como forma de revitalizar o espaço. “A rodoviária é um dos principais pontos turísticos da cidade. Queremos torná-la um centro de convivência, comércio e cultura novamente”, afirmou.

Além disso, parcerias público-privadas (PPPs) estão sendo avaliadas como alternativas para trazer investimentos à rodoviária. Porém, segundo Afrânio, “antes de qualquer projeto, é preciso colocar a casa em ordem”.

Confira a entrevista completa no canal da RádioCom Pelotas no YouTube.

Imagem: Divulgação


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