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Exposição Ilustre Pampa destaca biodiversidade do Bioma Pampa por meio da ilustração científica
A riqueza da biodiversidade do Bioma Pampa ganha vida por meio da arte na exposição Ilustre Pampa, em cartaz no Museu de Ciências Naturais Carlos Ritter, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). O evento, que pode ser visitado até o dia 17 de abril, reúne ilustrações científicas que retratam a fauna e flora da região, promovendo a conscientização ambiental e a valorização da arte como ferramenta de divulgação científica.
A iniciativa faz parte do projeto Pampa Singular, um programa multidisciplinar da UFPel que busca incentivar a educação ambiental e a preservação do bioma por meio de diferentes abordagens. Durante entrevista ao programa Contraponto, da RádioCom Pelotas, o professor Dr. João Iganci, coordenador do Núcleo de Ilustração Científica da UFPel, explicou como a exposição está inserida em um conjunto de ações que envolvem ensino, pesquisa e extensão.
Uma exposição que une ciência e arte
A Ilustre Pampa é resultado de um concurso promovido pelo Núcleo de Ilustração Científica, que selecionou 13 trabalhos de ilustradores do Rio Grande do Sul. Além das obras concorrentes, a exposição também apresenta sete ilustrações do acervo do Núcleo, criadas por alunos e pesquisadores da UFPel. "A ideia é documentar e divulgar a biodiversidade do Pampa, aproximando o público de espécies que muitas vezes passam despercebidas", destacou Iganci.
Segundo o professor, a ilustração científica desempenha um papel essencial na comunicação da ciência, pois traduz informações técnicas em imagens compreensíveis para o público em geral. "A arte é mais acessível e convidativa. Muitas vezes, conseguimos despertar a curiosidade das pessoas para a conservação da biodiversidade através de uma boa ilustração", afirmou.
Margarida da praia: uma planta exclusiva de Pelotas
Entre as diversas espécies retratadas na exposição, destaca-se a margarida da praia (Grindelia atlantica), uma planta endêmica que só pode ser encontrada na Praia do Laranjal, em Pelotas. Descoberta originalmente no litoral norte do Rio Grande do Sul, a espécie já não é mais encontrada naquela região, sendo preservada apenas no ambiente natural do município.
A margarida da praia é um exemplo da fragilidade da biodiversidade do Bioma Pampa. "É uma espécie única no mundo. Se for extinta aqui, desaparecerá completamente", alertou Iganci. A planta, que resiste às adversidades das áreas costeiras, enfrenta ameaças constantes devido à ação humana e às mudanças ambientais. Segundo o professor, conhecer e valorizar essas espécies é essencial para sua conservação.
Projeto de extensão leva ciência para escolas do interior
Uma das iniciativas do Pampa Singular é o projeto de interiorização da ciência, que leva oficinas educativas para escolas de municípios do Bioma Pampa. Segundo Iganci, a equipe já realizou atividades em cidades como Uruguaiana, Quaraí, Alegrete e Dom Pedrito, e segue com visitas programadas para Canguçu, Santa Vitória e Rio Grande.
O trabalho inclui dinâmicas com microscópios, observação de espécies vegetais e oficinas de ilustração biológica. "Muitas dessas crianças nunca tiveram contato com equipamentos científicos ou com a riqueza da biodiversidade da própria região. Quando percebem a complexidade e beleza dessas espécies, passam a enxergar o meio ambiente com outros olhos", relatou o professor.
Ilustração científica
A ilustração científica não é apenas uma forma de arte, mas também um método essencial para documentar e estudar espécies. O professor Iganci ressaltou que, ao longo da história, naturalistas que visitaram o Brasil produziram extensas ilustrações de outras regiões do país, mas o Pampa permaneceu pouco representado. "Através do Núcleo de Ilustração Científica, estamos preenchendo essa lacuna, registrando a biodiversidade local para as futuras gerações", explicou.
O interesse pela ilustração científica tem crescido, tanto entre cientistas quanto entre artistas. "Nossos cursos e oficinas recebem alunos de diversas áreas, como Biologia, Artes, Geologia e até Ciência da Computação. Muitos descobrem um talento para a ilustração durante atividades práticas, como desenhar estruturas botânicas", revelou o professor.
O Núcleo de Ilustração Científica da UFPel oferece disciplinas regulares voltadas à prática, abertas a estudantes de vários cursos. Além disso, periodicamente são realizadas oficinas para a comunidade, proporcionando uma oportunidade para que interessados desenvolvam suas habilidades e conheçam mais sobre essa interseção entre arte e ciência. Para aqueles que desejam ingressar na área, acompanhar a programação do núcleo e do Museu Carlos Ritter pode ser um excelente caminho.
Serviço
O quê: Exposição Ilustre Pampa
Quando: Até 17 de abril
Quanto: Entrada gratuita
Onde: Museu de Ciências Naturais Carlos Ritter (Praça Coronel Pedro Osório, nº 01, Pelotas)
Horário: Segunda a sábado, das 13h às 18h30min
*Confira a entrevista completa no canal da RádioCom Pelotas no YouTube.
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