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GAMP Feminista celebra 33 anos de luta e se une à Batucantada no 8M em Pelotas
Pelotas celebra, neste 8 de março, não apenas o Dia Internacional da Mulher, mas também o aniversário de 33 anos do GAMP Feminista (Grupo Autônomo de Mulheres de Pelotas). A data, carregada de simbolismo e resistência, será marcada por uma programação especial na Praça Coronel Pedro Osório, onde o GAMP realizará uma roda de conversa, convidando a população a refletir sobre a trajetória do grupo e a luta contínua pelos direitos das mulheres.
33 anos de luta ininterrupta
Desde sua fundação o GAMP tem sido um espaço de acolhimento, articulação política e resistência feminista na cidade. Criado a partir da necessidade de um movimento autônomo que ampliasse a voz das demandas das mulheres de Pelotas, o grupo consolidou-se como uma referência na luta por direitos e contra todas as formas de violência de gênero.
Ao longo dessas mais de três décadas, o GAMP esteve presente em diversas mobilizações, sempre levantando pautas fundamentais para a igualdade de gênero, como o combate à violência contra a mulher, a luta por políticas públicas de proteção e a construção de espaços seguros para as mulheres se organizarem. Além disso, tem sido um espaço de formação política, promovendo rodas de conversa, oficinas e atividades culturais que fortalecem a consciência feminista na cidade.
“A gente está sempre na luta. O GAMP nunca parou nesses 33 anos. Seguimos firmes, porque enquanto houver uma mulher sofrendo violência, nós estaremos à frente”, destaca Eva Santos, coordenadora do grupo. O GAMP é mantido de forma independente, contando com contribuições das associadas e iniciativas próprias para seguir ativo. Esse compromisso com a continuidade da militância, mesmo diante das dificuldades financeiras e estruturais, demonstra a resiliência das mulheres que constroem o grupo diariamente.
Encontro de gerações: GAMP e Batucantada no 8M
Uma das atividades mais simbólicas deste 8 de março será o encontro do GAMP com a Batucantada, grupo feminista de percussão que tem se destacado pela energia e pela força de suas apresentações nos atos políticos da cidade. A união das mulheres do GAMP, muitas delas com décadas de militância, com as integrantes mais jovens da Batucantada representa a continuidade da luta feminista entre diferentes gerações.
Eva Santos enfatiza a importância desse encontro: “É um momento muito especial, porque marca essa troca fundamental entre quem veio antes e quem está chegando agora. Precisamos que as mais novas tomem a frente para que a luta continue. Esse encontro é sobre isso: resistência, troca de energia e fortalecimento.”
O encontro entre o GAMP e a Batucantada acontecerá ao longo da programação do 8M. O GAMP inicia suas atividades às 14h na Praça Coronel Pedro Osório, promovendo rodas de conversa e um espaço de troca com a comunidade. Às 15h30, as militantes do grupo se juntarão à concentração da marcha do 8M na Alameda da Floriano. A caminhada começa às 16h30, seguindo pelas ruas de Pelotas até o Quadrado, onde a Batucantada já estará reunida a partir das 17h para sua apresentação.
O ápice do encontro acontece às 18h, quando a Batucantada inicia seu bloco com uma femenagem às mulheres, promovendo um grande momento de celebração e resistência. Esse encontro entre diferentes frentes do movimento feminista reflete a força do trabalho conjunto e a necessidade de articular diferentes vozes para enfrentar os desafios do presente.
A importância do 8M e os desafios do movimento de mulheres
Para Eva, o 8 de março é uma data que carrega diferentes camadas de significado. Além de ser um momento de visibilidade para as pautas feministas, é também um dia de reafirmação do compromisso com a luta. Em um cenário onde os direitos das mulheres ainda são constantemente ameaçados, a organização dos atos e das mobilizações se torna ainda mais urgente.
“A gente sabe que não é só um dia. Nossa luta é diária. Mas essa data é um marco para lembrar que nossos direitos são conquistados com muito esforço e que nada está garantido”, reforça a coordenadora do GAMP. A presença das mulheres nas ruas, ocupando espaços e levantando suas vozes, é fundamental para dar visibilidade às reivindicações e para cobrar medidas concretas das autoridades.
Tânia Regina, também integrante do grupo, destaca os desafios que as mulheres enfrentam ao conciliar a militância com outras demandas da vida cotidiana. “As mulheres que estão à frente dos movimentos também trabalham, cuidam da casa, enfrentam sobrecarga. Mas seguimos porque sabemos que faz diferença”, afirma. Esse acúmulo de funções reflete a sobrecarga estrutural imposta às mulheres e torna ainda mais relevante a necessidade de coletivos como o GAMP, que oferecem suporte e fortalecem a luta coletiva.
O GAMP e a construção de um feminismo coletivo
Ao longo de sua trajetória, o GAMP construiu um feminismo coletivo, plural e autônomo. Diferente de outras organizações que dependem de financiamento externo, o grupo se mantém com o apoio das próprias associadas e parcerias com outras organizações feministas, como o Odara, garantindo que sua atuação siga firme na cidade. Essa independência permite ao grupo pautar suas ações de acordo com as necessidades reais das mulheres da região, sem amarras institucionais que limitem sua atuação.
Mesmo sem uma sede própria, o grupo utiliza um espaço no CPERS para realizar reuniões e se organizar. “Nós nos sustentamos com nossas contribuições e com a venda de materiais. É uma luta diária para manter o grupo ativo, mas seguimos, porque sabemos da importância do nosso trabalho”, explica Eva. A falta de estrutura física não impede o GAMP de seguir promovendo debates, articulando ações de mobilização e oferecendo apoio às mulheres que buscam orientação e acolhimento.
Além disso, o grupo tem atuado fortemente na defesa dos direitos das mulheres em diferentes frentes, desde o combate à violência doméstica até a construção de políticas públicas que ampliem a autonomia feminina. A participação do GAMP em conselhos municipais e em articulações estaduais reforça seu papel na formulação de estratégias que beneficiem diretamente a vida das mulheres.
Uma celebração e um convite à resistência
O aniversário do GAMP, celebrado junto ao 8M, evidencia o compromisso inabalável do grupo com a luta das mulheres. Mais do que uma comemoração, a data simboliza a continuidade de um trabalho essencial para a cidade e para todas as mulheres que buscam um espaço de resistência e transformação social.
A programação desta sexta-feira é um convite para todas que querem conhecer mais sobre o coletivo e fortalecer a resistência feminista em Pelotas. “Convidamos todas para estarem conosco na Praça Coronel Pedro Osório a partir das 14h. Venham trocar ideias, conhecer nossa história e celebrar conosco essa data tão importante”, finaliza Eva.
Serviço
O quê: Aniversário de 33 anos do GAMP Feminista e Marcha do 8M
Quando: 8 de março de 2024, a partir das 14h
Onde: Praça Coronel Pedro Osório, Pelotas
PIX para apoio ao GAMP: CNPJ 03.540.667/0001-75
Contato: Instagram @gampfeminista ou pelo e-mail gampfeminista@gmail.com
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