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Motorista terceirizado da UFPel é vítima de racismo; Conselho da Comunidade Negra acompanha o caso

Motorista terceirizado da UFPel é vítima de racismo; Conselho da Comunidade Negra acompanha o caso

O caso: racismo dentro da UFPel

Um motorista terceirizado da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) foi alvo de um ato racista enquanto trabalhava. Um estudante da instituição gravou um vídeo do trabalhador dirigindo o ônibus e compartilhou em um grupo de mensagens, fazendo comentários pejorativos sobre a música que ele ouvia. O estudante afirmou que era "música de preto", sugerindo que o ambiente parecia uma “encruzilhada”.

O vídeo e os comentários foram posteriormente apagados pelo responsável, mas prints da conversa já haviam sido registrados e divulgados. A denúncia foi feita por uma usuária da rede social Facebook, que relatou que o motorista, seu padrasto, ficou profundamente abalado com a situação.

Mobilização e reação nas redes

O caso ganhou repercussão rapidamente, com manifestações de repúdio de diversos setores da comunidade acadêmica e externa. A publicação da enteada da vítima enfatizou que o ato se trata de racismo e intolerância religiosa, crimes previstos em lei. Além disso, questionou a postura da universidade e cobrou medidas concretas contra a discriminação racial dentro da instituição.

Posicionamento do Conselho da Comunidade Negra

Diante da gravidade do ocorrido, o Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de Pelotas divulgou uma nota oficial condenando o ato. O órgão ressaltou que o racismo é crime conforme as leis 7.716/1989 e 14.532/2023 e destacou a necessidade de punição dos envolvidos.

A integrante do Conselho, Francisca Jesus, chamou atenção para o impacto psicológico sofrido pela vítima e o desafio de retornar ao trabalho após a exposição: "Além da exposição do servidor, tem todo o trauma. O vídeo circulou por várias redes, o que tornou possível identificá-lo. Como esse trabalhador vai retornar ao serviço depois de passar por tudo isso?".

Ela também reforçou que não foi um caso isolado, já que outros alunos do grupo endossaram o ato racista. Segundo Francisca, é urgente que a UFPel adote medidas para fortalecer a educação antirracista dentro do ambiente universitário: "A UFPel tem que intensificar o letramento racial não apenas dos alunos, mas também de professores, funcionários e toda a comunidade acadêmica. Esse tipo de atitude não pode ser normalizado dentro de um espaço de educação e formação de futuros profissionais".

Manifestação da UFPel

A Universidade Federal de Pelotas publicou uma nota oficial repudiando o ocorrido e afirmando que está prestando acolhimento à vítima, além de tomar as providências cabíveis para a identificação dos responsáveis. O comunicado reforça o compromisso institucional com a equidade e o combate ao racismo: "Racismo é crime e deve ser tratado com a seriedade e o rigor que exige. Seguiremos atuando para que a UFPel seja um espaço verdadeiramente inclusivo e seguro para todas as pessoas".

Acompanhamento

O Conselho da Comunidade Negra garantiu que seguirá acompanhando o caso para que não caia no esquecimento e exigindo providências concretas por parte da UFPel. Francisca Jesus reforçou que este episódio é parte de um problema maior, que demanda ações estruturais:  "Não estamos falando apenas deste episódio, mas de todo o contexto de racismo estrutural dentro das universidades. Medidas precisam ser tomadas para que situações como essa não voltem a acontecer". 


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