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O futuro da greve na UFPel

O futuro da greve na UFPel

Se entrar em greve é importante, mais importante é saber sair dela, conta Carlos Mauch, presidente da ADUFPel, em conversa com a RádioCom sobre o encerramento da greve.

Na manhã desta quarta-feira (14), o programa Contraponto, da RádioCom, recebeu Carlos Mauch, presidente da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Pelotas (ADUFPel) para conversar sobre os encaminhamentos da greve pelo corpo docente da UFPel. Ele conta que ainda nesta quarta-feira o comando de greve deve fazer uma nova reunião para definir a data da próxima assembleia, que, segundo Mauch, tem previsão para acontecer na sexta-feira (28) e irá pautar a avaliação do momento da greve e sua possibilidade, ou não, de encerramento.

Na última quarta-feira (24) o ANDES Sindicato Nacional indicou às bases a saída coletiva da greve até o dia 3 de julho. Na rodada de assembleias gerais, finalizada na sexta-feira (21), os docentes da UFPel votaram a favor da manutenção da greve. No entanto, os resultados das demais assembleias representou maioria favorável ao encerramento. Das 55 assembleias, 35 votaram pela construção coletiva da saída da greve, o que levou a indicação do Comando para o encerramento.

Ao ser questionado sobre a ADUFPel ainda não ter decidido pelo encerramento da greve, Carlos explica que durante a última assembleia, realizada no dia 21, a decisão dos professores foi de manter o estado de greve. Agora, com a indicação do ANDES para uma saída coletiva, uma nova assembleia deve ser convocada para, novamente, reunir a decisão dos docentes da UFPel e, então, decidir sobre o encerramento.

“Então, na semana passada nós não tínhamos elementos para indicar a saída ainda da greve, ou seja, tinha algumas questões a serem discutidas. De qualquer forma, nós temos um comando local de greve composto por professores e professoras da UFPel, independentemente de serem sindicalizados ou não. Esse comando se reúne hoje à tarde e vai pautar a próxima assembleia, que a princípio, provavelmente será na sexta-feira.”

- Carlos Mauch, presidente da ADUFPel

Mauch comenta que, embora não tenha sido o desejado, avanços foram alcançados e que a pressão imposta ao governo resultou movimentações positivas, apesar de reclamações sobre o movimento. Entre as pautas, estava a questão da recomposição do orçamento das universidades. E o movimento que o governo Lula fez, embora muitos digam que não, foi resultado da pressão do movimento de greve, afirma o presidente.

Sobre as expectativas para um possível fim da greve, o entrevistado disse que não poderia falar em nome do comando, mas concordou que a saída unificada é uma tendência. Ele adicionou que ainda existem pautas locais graves, como o calendário acadêmico, que não foi suspenso. Ao fazer um movimento de greve, existe a obrigação, na volta, de repor aquilo que não foi dado, e essa reposição deve ser feita nos termos do que está previsto em dias letivos e em semanas de aula.

Além disso, Mauch comenta que muitos professores, incluindo ele, não deram nenhuma aula, porque a greve iniciou no primeiro dia letivo e, assim, um semestre inteiro precisa ser reposto. Ele finaliza que não é competência da ADUFPel propor um calendário, mas sim os princípios para a sua construção, que incluem o número de horas e dias letivos previsto nas disciplinas.

Por fim, Carlos Mauch finaliza esclarecendo que, independentemente de qual seja a posição final da próxima assembleia, ela será respeitada e levada ao ANDES.

“A ADUFPel fez 45 anos agora. 45 anos da sua história. A ADUFPel jamais levou para Brasília uma decisão diferente do que a base quis. [...] E isso é motivo de muito orgulho. Ou seja, se a base disser que não quer greve, nós já ficamos fora de greve.”

- Carlos Mauch, presidente da ADUFPel


- Redação: Ridley Madrid



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