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Resgate histórico: acervo da Prefeitura é salvo após anos de abandono

Resgate histórico: acervo da Prefeitura é salvo após anos de abandono

Um importante acervo documental da Prefeitura de Pelotas, composto por cerca de 12 mil caixas de arquivos, começou a ser resgatado após anos de abandono. O material, que reúne registros funcionais, processos administrativos, decretos, portarias, contratos e documentos de valor histórico, estava armazenado em um prédio antigo sem manutenção adequada — parte do telhado chegou a desabar anos atrás, comprometendo a integridade de grande parte dos papéis.

A ação é conduzida por meio de um projeto de extensão do curso de História da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), em parceria com a Secretaria de Administração e Recursos Humanos (Sarh). A iniciativa prevê a organização, higienização e catalogação dos documentos que puderem ser salvos, com o objetivo de preservar a memória institucional do município e evitar a perda de dados relevantes para servidores, para a gestão pública e para a história da cidade.

Documentos contam a história do trabalho em Pelotas

Entre os materiais encontrados estão fichas financeiras e funcionais de servidores ativos e inativos, contratos de trabalho de celetistas e estatutários, documentos sobre licitações, cobranças de IPTU e até um livro ponto de professoras da década de 1940, com informações detalhadas sobre salários e cargos.

Grande parte do acervo data das décadas de 1970 em diante, mas há registros também dos anos 1950 e 1960. “Todo historiador tem um pouco de acumulador, não pode ver um documento no chão que já quer pegar para ver o que é”, brinca o professor Aristeu Lopes, idealizador do projeto, que atua junto ao doutorando Euler Zanetti.

Transferência parcial e desafios estruturais

Entre 2018 e 2019, cerca de 8 mil caixas foram transferidas para outro prédio, onde estão protegidas. Com o projeto da UFPel, mais 500 caixas foram recentemente realocadas. No entanto, o espaço atual não comporta o restante do acervo e também não pode receber documentos contaminados por fungos ou insetos — risco presente no material armazenado em condições precárias.

A Sarh, junto à Secretaria de Cultura (Secult), busca agora um novo local para abrigar os documentos restantes e recursos para restaurar o prédio centenário que originalmente servia como arquivo. O espaço, inventariado e com estrutura de mezaninos, seria ideal para acomodar o acervo de forma segura e acessível à pesquisa.

Valor público e social da preservação

Além de seu valor histórico, os documentos são essenciais para a administração pública, especialmente porque muitos registros ainda não foram digitalizados. “Esses arquivos podem conter processos importantes, e até dados de servidores que hoje estão na ativa. Perder isso significa risco de prejuízos à população e aos cofres públicos”, explica a secretária Carla Cassais.

A justificativa do projeto reforça o impacto da iniciativa: o acervo é uma fonte única para compreender o funcionamento da Prefeitura ao longo dos séculos XX e XXI e para reconstruir a memória social de Pelotas, fortalecendo a relação entre universidade e comunidade.

*Com informações da Prefeitura de Pelotas


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